12

Ela terminou a primeira taça e viu a figura conhecida na entrada no restaurante, conversando animadamente com uma das garçonetes. Estava com a mesma roupa da noite anterior e usava óculos escuros. Viu Alex assinar alguma coisa e entregar de volta para a garçonete, que sorriu e deu um abraço inesperado nele. Ele olhou ao redor e localizou a mesa onde sua família estava, abrindo um sorriso ao avistar Elisa. Deixou a garçonete falando sozinha e se dirigiu à mesa.

 

– Está atrasado, Alexandre. – Viviane ergueu a segunda taça de vinho na direção dele.

– Perdão, meus amores. – ele ocupou a cadeira vazia ao lado de Viviane e à frente de Elisa.

 

Roberto pegou a taça vazia e serviu Alex, que brindou.

 

– À família. – ele deu um sorriso. – Saúde!

– Saúde! – todos responderam em uníssono.

 

Elisa se pegou observando o botão desabotoado da camisa de Alex e as linhas do pescoço dele. Não queria admitir, mas estava procurando qualquer marca de ontem. O cabelo dele estava perfeitamente desalinhado, uma mecha presa atrás da orelha dele. Lembrou de como agarrou o cabelo dele na noite passada e quase não foi capaz de conter um calafrio que lhe percorreu a espinha.

 

– Está tudo bem, minha cunhada favorita? – Alex apontou para a taça dela, que estava pela metade. – Você não deveria estar bebendo.

 

Roberto e Viviane encararam Elisa, que esperou que eles acreditassem que estava vermelha por culpa do vinho.

 

– Eu passei mal ontem. – ela se explicou. – Mas estou bem.

 

Ambos pareceram aceitar a explicação.

 

– Vamos pedir alguma coisa pra comer então? Estou morrendo de fome.

– Grande novidade você com fome, irmão. – Alex gracejou, arrancando uma gargalhada de Viviane.

 

__________________

 

A comida estava maravilhosa e os pratos foram esvaziados rapidamente. Apesar disso, Roberto não pediu mais comida e isso não passou despercebido por Elisa. Uma possibilidade começava a se formar em sua mente, mas ela ignorou o quando pode. Quando a sobremesa chegou, Roberto não tocou no prato. Ao invés disso, ele começou a falar.

 

– Eu…

 

Alex e Viviane pararam de comer para prestar atenção em Roberto. Viviane tinha um sorriso imenso no rosto e Alex estava com as sobrancelhas franzidas.

 

“Não. Não. Não. Isso não está acontecendo.”

 

– Eu só queria dizer que estou muito feliz por estar com vocês aqui. – Roberto parecia lutar com o que ia dizer em seguida. – Eu amo muito vocês e vocês são as pessoas mais importantes da minha vida.

 

“Não. NÃO!”

 

Ele se virou para Elisa.

 

– Elisa, eu amo você.

 

Ele se levantou da cadeira e se ajoelhou na frente dela, abrindo uma caixinha preta.

 

– Você me daria a honra de ser minha esposa?

 

“Não. Não, não, não, não. NÃO! NÃO!”

 

– Sim, claro que sim! – Elisa abriu um sorriso e beijou Roberto, que finalmente relaxou nos braços dela.

 

O restaurante veio abaixo. Alguns gritos, muitos aplausos. Um garçom pareceu brotar do nada com uma garrafa de champanhe na mão. Viviane cumprimentou os dois, seguida de Alex. Ele deu um abraço e um beijo no rosto de Elisa, aproveitando a oportunidade para sussurrar no ouvido dela.

 

– Sério isso? Eu ainda consigo sentir seu gosto na minha boca.

 

Alex não esperou a resposta de Elisa para seguir adiante e cumprimentar Roberto com um  abraço caloroso. Os irmãos pareciam realmente felizes para qualquer um que olhasse de fora. Eram todos uma família muito unida e muito feliz.

 

_____________________

 

Elisa pediu licença e foi ao banheiro. O estômago estava revirado e ela sentia que podia vomitar a qualquer momento. Entrou no banheiro e lavou o rosto, respirando fundo várias vezes. Tirou o anel novo do dedo e o depositou sobre a pia, como quem tirava um peso enorme das costas. Respirou fundo mais algumas vezes e começou a se sentir melhor aos poucos. Sentia vontade de gritar muito alto, de quebrar os espelhos do banheiro.

 

– Bonita cena. – Alex entrou no banheiro e trancou a porta atrás dele.

– Esse é o banheiro das mulheres. Você não deveria estar aqui. – Elisa não conseguiu pensar em nenhuma outra desculpa melhor. – Eu preciso ficar sozinha.

– Você pode ficar sozinha com a sua família nova.

 

Ele se aproximou e enlaçou Elisa pela cintura, puxando-a de encontro a seu corpo. O beijo que se seguiu não foi nada parecido com outros beijos que já trocaram antes. Era desesperado. Ela sentia a mesma sede vinda dele. Sentiu o calor familiar entre as pernas. Foi Alex que interrompeu o beijo.

 

– Acho que já chega, não? Já basta eu de errado.

 

Alex destrancou a porta e saiu do banheiro, sem olhar para trás. Elisa pegou o anel de cima da pia e o colocou de volta no dedo. Não precisava de mais nenhuma palavra para entender que aquilo era adeus.

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11

O caminho de volta foi silencioso. Elisa estava ocupada com os próprios pensamentos, sentindo que a sensação de culpa dava lugar a outro sentimento. Culpa essa que durava cada vez menos. Revivia mentalmente todo os acontecimentos daquela noite, pausando em algumas cenas e deixando a sensação do orgasmo inundá-la mais uma vez.

 

– Você está com frio? Quer que eu ligue o ar quente? – o tom da voz de Roberto era preocupado.

– Não, não. – ela conseguiu responder de forma monossilábica.

 

Ao chegarem, ela deu uma desculpa qualquer e foi tomar banho. Precisava ficar a sós para lembrar de tudo mais uma vez, para poder sentir tudo aquilo de novo. Ligou o chuveiro bem quente e se masturbou uma vez e outra. Tinha um momento que era só seu e de Alex, queria se lembrar de todos os detalhes. Estava ignorando propositalmente a presença de Fernando, mas ela não queria lembrar da existência dele.

 

“No final das contas, somos todos animais selvagens mesmo.”

Tentou deixar toda a noite passada no banho. A maquiagem, a roupa, a impressão de ter Alex entre suas pernas. Enrolou a toalha em volta de si como uma capa protetora.

 

Roberto estava deitado na cama, mexendo no celular. Ela trocou de roupa de costas para ele, colocando o pijama rapidamente. Deitou na cama e deu um beijo no rosto do namorado, se ajeitando debaixo das cobertas. Dormiu sem sonhar a noite inteira.

 

_______________________

 

– Meu amor, hora de acordar.

 

A voz de Alex era tão doce e ela estava feliz. Abriu os olhos e encarou Roberto, que sorria.

 

– Tão cedo? – ela resmungou, procurando o celular.

– São 11 da manhã, vamos almoçar fora. – Roberto deu um beijo na testa dela e saiu do quarto.

 

Ela chutou as cobertas ainda de olhos fechados. Enrolou mais um pouco na cama antes de se dirigir ao banheiro. Até que não estava com uma aparência ruim, levando em consideração toda a vodka e todo o Alex da noite passada. Finalmente uma noite inteira de sono. Escovou os dentes e lavou o rosto, pensando em qual roupa poderia usar. Achou um vestido esquecido no armário de Roberto e decidiu usar aquele mesmo.

 

– Bom dia, minha linda. – Viviane cumprimentou Elisa. Estava sentada na sala, tomando uma caneca de café. – Eu fiz café hoje, se quiser tem na cozinha.

– Obrigada Vi, não quero. – ela percebeu que Viviane estava arrumada.

– Então, onde vamos almoçar?

– Roberto não disse, mas parece que o lugar é chique. – ela bebeu um grande gole do café. – Mas eu não sou chique, então vou assim mesmo.

– Poxa Vi, você está linda!

– É por isso que eu amo você, Elisa. – Viviane deu um sorriso largo.

 

Roberto entrou na sala parecendo ansioso.

 

– Vamos? – ele limpava as mãos nas calças.

– Estamos prontas. – Viviane respondeu. – E você, pegou tudo?

 

Ela piscou para Roberto, que pareceu se dar conta de que estava esquecendo algo muito importante. Ele correu pro quarto e retornou aliviado.

 

– Agora sim. Vamos?

 

Elisa queria perguntar se Alex também ia, já que aquele parecia ser um programa em família. Mas ficou feliz de ter ficado em silêncio, já que a primeira coisa que Viviane disse quando entrou no carro juntamente com os dois foi:

 

– E o Alexandre?

– Falei com ele, ele disse que nos encontra lá. – Roberto respondeu rapidamente.

– Perfeito. – Viviane colocou os óculos escuros e Elisa a imitou.

O restaurante ficava um pouco longe e era isolado do resto da cidade, no alto de uma colina. O dia estava ensolarado e a vista das montanhas ao redor era incrível. Passaram por uma fachada envidraçada e entraram num pátio ensolarado onde um garçom prestativo os encaminhou para uma mesa sob uma parreira.

 

– Que lugar bonito. – Viviane comentou, apreciando a vista.

 

O garçom puxou a cadeira para Elisa e tentou fazer o mesmo para Viviane, mas ela recusou polidamente.

 

– Vamos pedir algo pra beber? – Roberto estava ansioso sim, Elisa sabia que não era coisa da cabeça dela.

– Não é melhor esperar seu irmão?

– Azar do Alexandre se ele demorar. – Viviane solicitou a carta de vinhos ao garçom, no que foi prontamente atendida.

 

O lugar estava com a maioria das mesas ocupadas, mas a distância entre cada mesa era suficiente para manter um pouco de privacidade entre os clientes. O garçom trouxe o vinho e quatro taças.

 

– Saúde!

 

Viviane puxou o brinde e bebeu metade da taça em seguida. Roberto não bebeu e ficou encarando o vinho, hipnotizado. Elisa bebeu um gole e discretamente olhou ao redor, procurando por Alex. Ele já estava atrasado de qualquer forma. Mas alguma coisa não estava certa para ela.

10

– Você sumiu.

 

Alex parecia ter um radar para encontrá-la. Tirou o maço de cigarros do bolso e acendeu um, dando um trago profundo.

 

– Me dá esse. – sem esperar que ele respondesse, ela tomou o cigarro da mão dele.

 

O barulho que vinha de dentro do bar era abafado e indistinto. O músico encostou na parede ao lado de Elisa, observando ela fumar.

 

– Eu conheci o Fernando. – ela finalmente falou.

 

Alex ergueu as sobrancelhas, claramente divertido com o rumo da conversa.

 

– E o que você achou?

– Ele é lindo. É inteligente, engraçado. Você devia namorar com ele.

 

Alex concordou com a cabeça.

 

– Talvez eu namore.

 

Elisa terminou de fumar o cigarro e encarou Alex

 

– E por que não namora logo?

– Não sei. Acho que eu não gosto dele tanto assim.

 

Ela não sabia que resposta esperava, mas certamente não esperava ouvir o que ouviu.

 

– O que você quer?

– Eu não sei, Elisa. Me diz você.

 

Os dois ficaram em silêncio.

 

– Eu…

 

Alex interrompeu a frase de Elisa com um beijo, profundo e desesperado. Ela respondeu imediatamente, tomada pela sede e de como faria qualquer coisa para aquela sensação passar. A sede que tomava conta dela e não deixava ela dormir, que fazia ela sonhar e que não acabava nunca.

 

Alex levantou o vestido de Elisa e ela o ajudou a tirar a calcinha. Ele a penetrou com os dedos, constatando que ela estava muito molhada. Alex ergueu uma perna dela e a penetrou, com movimentos rápidos e profundos. Estava com uma das mãos no seio dela, e o beijo abafava os gemidos de ambos.

 

Elisa sentia a parede fria em suas costas como se o corpo estivesse em chamas. Alex beijou o pescoço dela e ela soltou um gemido baixo, quase afundando no abraço dele.

 

– Me fode… Não para…

 

Ela falava em voz alta o que já estava em seu pensamento há muito tempo. Alex atendeu o pedido, aumentando o ritmo e ouvindo cada vez mais as palavras de aprovação de Elisa.

 

Os movimentos dele se tornaram mais descompassados. Alex finalmente olhou nos olhos dela e gozou, suor escorrendo pelas têmporas dele. Ele afundou a cabeça em seu pescoço, ficando imóvel por alguns segundos. Elisa escutava a respiração dele, que pouco a pouco voltava ao normal. Ele ergueu o rosto e beijou Elisa.

 

Alex ajoelhou na frente dela e cobriu de beijos as coxas e a virilha de Elisa. O corpo dela estava arrepiado, prestes a liberar toda a energia acumulada. Não precisaria de muito para chegar ao orgasmo, mas não também não imaginava que Alex fosse tão bom assim.

 

Ele traçou cada pedaço de seu sexo com a língua, variando a pressão e o ritmo. Elisa agarrou os cabelos dele e tentou segurar o máximo que pode. A língua de Alex circulou o clitóris dela lentamente, chegando ao centro e voltando. O movimento ficou cada vez mais rápido. Elisa gozou forte, o corpo todo tremendo e a sensação de que as pernas não conseguiriam mantê-la em pé.

 

Ela se apoiou na parede, respirando fundo. As pernas ainda tremiam. Alex se levantou e Elisa se apoiou nele sem pensar.

 

– Tudo bem?

 

Ela acenou com a cabeça.

 

– Tudo bem, mas tudo mal. – ela deu um sorriso triste.

 

Alex suspirou.

 

– Preciso voltar.

 

Alex parecia resignado, mas concordou com ela.

 

– Vem cá.

 

Alex a puxou para mais um beijo, o último daquela noite. Ele respondeu a pergunta que via nos olhos dela.

 

– É isso que eu quero, todas as noites.

– Alex…

 

– Alex!

 

Elisa sentiu o estômago gelar ao ver Fernando. Quanto ele tinha visto? Quanto ele tinha ouvido?

 

– A banda está te procurando. Vamos encerrar por hoje?

– Vamos sim, Fê. Me dá um minuto só.

 

Alex não se abalava. Continuou abraçado a Elisa.

 

– Tudo bem? – Fernando parecia genuinamente preocupado.

– Tudo sim, acho que bebi demais. – Elisa se justificou. Sentia que talvez fosse mais verdade do que mentira, já que poderia vomitar de nervoso a qualquer momento.

 

Fernando deixou os dois a sós.

 

– Acho que temos um problema.

– Não, tá tudo bem. – Alex assegurou.

– Eu acho que você não entendeu. – Elisa olhou Alex de forma grave. – Eu não estou achando minha calcinha.

9

Elisa olhou ao redor, tentando absorver a atmosfera do lugar. Havia todo tipo de gente ocupando o espaço: senhores, jovens, casais de idades variadas. A seu lado, Roberto parecia um pouco deslocado.

– Ainda não acredito que você me convenceu a vir. – ele comentou fazendo uma careta, enquanto bebia mais um gole da sua cerveja.

– Não fui eu, foi o Alex!

O alívio que sentia se traduzia em alegria exagerada. Sentou mais próxima a Roberto, pousando a cabeça no ombro dele. Aparentemente, tudo estava bem. Roberto saiu pra jogar uma partida de futebol com amigos.

 

“Está tudo bem, está tudo bem.”, ela repetia o mantra para si mesma.

 

– Amanhã é feriado, podemos passar o dia juntos sem fazer nada ok?

 

Roberto sorriu e concordou com a cabeça. Que namorado exemplar.

 

– Vou pegar mais uma bebida, quer alguma coisa?

– Não, estou bem. – Roberto ergueu o copo e piscou pra Elisa.

 

O bar estava apinhado, mas ela conseguiu abrir espaço até o balcão quase sem querer cometer nenhum assassinato.

 

– Uma vodka, por favor. – Elisa gritou temendo que a música abafasse o pedido.

– Com coca?

– Pura, por favor.

 

O bartender deu uma boa olhada no rosto de Elisa e deu um sorriso sugestivo.

 

– Você é a moça que é amiga do Alex, não?

– Cunhada. Namoro o irmão dele. – ela respondeu sem se abalar.

– Não me apresentei oficialmente ainda. Meu nome é Fernando. Eu estava na casa do Alex na sexta. – ele entregou o copo pra Elisa.

 

Demorou um pouco pra ela compreender as palavras dele. Sexta-feira. Alex. O que tinha acontecido? Ela não lembrava de ninguém além de Alex e de…

 

– Ah. Ahhhhh! Certo, ok. Tudo bem Fernando? Desculpa a interrupção, não tive intenção, juro.

 

Elisa segurou a bebida firmemente, quase amassando o copo plástico. Deu meia volta e correu pra mesa, virando a bebida no caminho.

 

– Você não ia buscar uma bebida? – Roberto apontou pro copo vazio e amassado de Elisa.

– Já bebi. – Elisa caiu na cadeira ao lado de Roberto, esperando que ele não fizesse mais perguntas.

 

Fernando. O homem no bar. Ela passou mais tempo do que deveria olhando pro bar e analisando a figura que servia as bebidas com um sorriso no rosto. Fernando era lindo. Tinha os olhos verdes mais incríveis que ela já havia visto. Tinha tatuagens nos braços. E tinha aquele sorriso cínico de quem sabia que era bonito.

 

Como ele sabia quem era ela? Será que Alex falou alguma coisa? E quando Alex sumia, será que era atrás dele que ele ia?

 

“Eu iria. Fácil.”

 

O barulho que tomou conta do lugar era sinal de que alguma coisa ia acontecer. Elisa finalmente parou de encarar Fernando para olhar para o palco. Era Alex. Ela olhou novamente para o bar e constatou  que Fernando tinha os olhos fixos no palco. Viu o homem sair de trás do balcão e caminhar em direção à sua mesa.

 

“Isso não pode estar acontecendo…”

 

– Posso sentar? – Fernando coroou a pergunta com um sorriso.

– Claro Fê, senta aí! – Roberto deu um tapinha na cadeira vazia a seu lado, convidando o recém-chegado a se sentar.

– Obrigado.

 

Fernando se acomodou e começou a bater papo com Roberto, sem tirar os olhos do palco.

 

– Boa noite! – a voz de Alex ecoou. De alguma forma, aquele tom era diferente do tom que ele conversava com ela.

 

Gritos e muito barulho encheram o lugar. Alex estava acompanhado de uma banda, mas ele era tudo o que importava. Estava ereto no centro do palco, jeans e camisa escuros. Parecia outra pessoa.

 

A banda tocou os primeiro acordes e pelo jeito muita gente reconheceu a música, saudada com gritos e assovios da plateia.

 

I’m telling you, that girl is not mine

She is the purest ray of joy and sunshine

She makes me drunk like expensive wine!

It’s such a pity that she is not mine…

 

Elisa reconheceu a melodia alegre e ritmada. Baixo e bateria acompanhavam cada palavra de Alex, que cantava como se tivesse nascido para fazer só aquilo. E como ele cantava. Dava pra notar que aquelas pessoas que lotavam o bar estavam ali só por causa dele.

 

– Ele não é incrível? Parece que Freddie Mercury e David Bowie tiveram um filho.

 

Era Fernando que falava com ela. E ele tinha razão. Era todo o poder da voz de Mercury com o magnetismo enigmático de Bowie. Estava testemunhando algo grande.

 

– Ele lota o bar todas as noites. Todo mundo ama o Alex.

– Ele é especial. – Roberto concordou, com orgulho.

– Desculpa, de onde vocês dois se conhecem? – Elisa se deu conta de que estava sendo grossa mas não se importava.

 

Já bastava a cena de sexta-feira. Agora o cara era amigo do seu namorado e ela nunca tinha ouvido falar dele.

 

– O Fê é nosso vizinho. – Roberto explicou sem se abalar. – Era, até se mudar. – ele se corrigiu.

– Mudei, mas sempre quis voltar pra cá. Daí esse lugar estava a venda e acabei comprando. Isso foi em… 2014, 2015? Não tenho certeza.

 

Então ele era o dono do lugar. Nossa.

 

– Ele sempre ia em casa quando éramos pequenos.

– Lógico Roberto, sua casa era a única que tinha piscina!

 

Os dois riram e Elisa ficou cada vez mais irritada. Amigos de infância. Fernando era engraçado e inteligente, assim era difícil ficar com raiva dele.

 

Just hear me now, that boy is not mine

I wanna drown in his eyes and his smile

I want his love so bad I almost cry

Oh won’t you please tell me you will be mine?

 

O tom de Alex era diferente na segunda parte, mais agudo. Ele soprou um beijo na direção da mesa onde Fernando, Roberto e Elisa estavam. A gritaria foi tanta que ela sentiu necessidade de tapar os ouvidos. Mulheres, homens. Alex podia ter qualquer um que estivesse ali.

8

Quando Elisa voltou à cozinha, Roberto não estava mais lá. Constatou a ausência da pick-up dele. Onde poderia ter ido numa manhã de domingo? Poderia deixar sua mente inventar todas as piores possibilidades, mas resolveu pegar um pano e um rodo para secar a bagunça que fez no trajeto até o quarto.

– Bom dia, Elisa! Passando pano logo cedo?

O susto inicial foi substituído pelo alívio ao constatar que era apenas Viviane.

– Bom dia, Vivi. Estava na piscina e esqueci a toalha.

– Você é um tesouro mesmo. – Viviane sorriu.

Elisa pegou o celular e se juntou a Viviane, que comia pão e tomava café na sala. A TV estava ligada no canal de notícias, e Viviane ainda tinha o notebook no colo e o celular em uma das mãos.

– Sabe onde o Roberto foi? – Viviane não levantou os olhos do notebook.

– Não sei. Ele falou alguma coisa contigo? – Elisa tentou fingir desinteresse.

– Não, nada.

Algo que Elisa admirava em Viviane era a capacidade de ficarem confortavelmente em silêncio. Não precisavam conversar enquanto dividiam o mesmo espaço. Mas tudo o que queria naquele momento era conversar com alguém. Com tantos pensamentos gritando na sua cabeça, temia que ia falar alguma coisa idiota em voz alta mais cedo ou mais tarde.

– Minhas duas garotas favoritas juntas no mesmo lugar! Deve ser meu dia de sorte.

Alex estava com os cabelos molhados de quem havia acabado de sair do banho.

– Vai colocar uma camisa, Alexandre. Está ofendendo a sensibilidade das damas presentes. – Viviane zombou.

– Nada que as duas já não tenham visto.

 

Ele se sentou no sofá ao lado de Elisa.

– E a sua noite pelo visto foi muito boa. – Alex correu o dedo pelo pescoço de Elisa, apontando uma pequena marca roxa.

Elisa se arrepiou e fuzilou Alex com os olhos, quanto Viviane ria do comentário.

– Dez anos juntos e ainda estão assim? Meu Deus. – ele continuou, divertindo-se com desconforto dela.

O celular de Viviane vibrou e ela respondeu a mensagem no mesmo momento.

– Meus lindos, tenho que dar uma saída. Vocês fazem o almoço?

– Claro Vi, sem problemas.

– Ótimo, eu já volto. – Viviane abriu um sorriso e saiu em direção ao quarto.

Elisa aproveitou que Viviane saiu da sala pra dar um tapa nas costas de Alex.

5 minutos depois Viviane retornou, óculos escuros e bolsa em punho.

– Comportem-se, OK?

Entrou no carro e saiu.

 

__________________________________________________________

 

– E então, por que você não foi me ver ontem?

– Não deu, tive que colocar o Roberto pra dormir. – ela sorriu como quem escondia algo sórdido.

 

Alex ergueu uma sobrancelha e sorriu também.

 

– Quero te mostrar uma coisa

– O que?

– Vem comigo.

 

Ela o seguiu até o quarto e percebeu que não entrava ali há pelo menos 10 anos. Alex dividia o quarto com Roberto quando eram mais novos, mas Roberto se mudou quando a necessidade de privacidade falou mais alto. Ou seja, quando ele começou a namorar Elisa. O cômodo agora era o quarto/estúdio de Alex.

Feche a porta, por favor. – ele pediu.

Ele se sentou ao teclado e começou a tocar.

– Engraçado, não escuto você tocar do quarto do Roberto.

– O quarto tem isolamento acústico. Posso te comer e te fazer gemer e gritar que ninguém vai ouvir.

– Hahaha… – ela riu nervosa.

 

Elisa foi até a cama desarrumada e deixou-se cair sobre o edredom embolado. Tinha o cheiro dele. Esperava que dali ele não enxergasse o rosto vermelho dela.

Ele voltou a tocar a mesma música, uma melodia ritmada e alegre.

 

– Gostei. Podia ser o jingle de alguma empresa moderninha.

– Mesmo? – ele se virou na direção da cama. – Compus pensando em você.

Ela sentou na cama. Sabia que estava muito vermelha.

– Na verdade essa é a segunda música que eu componho pensando em você.

Ela ficou sem saber o que dizer. Mas o momento passou e Alex mudou de assunto.

 

– Então você colocou meu irmão pra dormir…

Elisa sabia onde aquela conversa ia dar e estava achando tudo muito errado. 

– O que você fez pra ele dormir? – Alex inclinou a cabeça para o lado, como que pontuando a frase.

– Você tem tesão em me deixar sem graça?

– Não, você não poderia estar mais errada. – ele levantou e caminhou até a cama, sentando ao lado dela. – Eu tenho tesão em deixar qualquer um sem graça.

– Está de pau duro agora? – juntou o que pôde de ironia naquela frase.

– Por que, quer ver?

 

“Quero. Queria que fosse você noite na noite passada.”

Alex continuava imóvel. Elisa sabia que ele esperava que ela tomasse a iniciativa dessa vez.

 

– Quer mesmo saber o que eu fiz com seu irmão? – ela o encarou, desafiando-o a responder.

– Claro. Sou curioso.

 

Tudo o que ela precisava agora era afogar os problemas em baldes de inconsequência.

 

– Eu dei um beijo nele. – ela sussurrou no ouvido de Alex.

– Só isso? – Alex colou um das mãos nas costas de Elisa, acariciando de  leve.

– Eu beijo muito bem.

 

Elisa pontuou sua frase com um beijo leve na nuca de Alex. Percebeu que ele se arrepiou e contou aquilo como uma pequena vitória.

 

– Quero todos os detalhes sujos. – o ouviu dizer com a voz rouca.

Elisa sorriu. Era bom finalmente estar no controle da situação.

– Eu chupei ele. Devagar.

– Hmm… – Alex ouvia de olhos fechados.

– Depois mandei ele deitar na cama.

Elisa se levantou da cama e sentou no colo de Alex, que abriu os olhos e a encarou, boquiaberto.

– Cavalguei ele assim. – ela moveu o quadris como se estivesse repetindo o movimento de horas atrás.

– Aposto que você gozou rápido.

– Sim… – ela continuou movendo os quadris quase inconscientemente, os olhos fechados.

Alex a encarava sem piscar. Ela conseguia sentir o volume debaixo dela e queria que não houvessem tantas camadas de roupas entre os dois. Abriu os olhos e encarou Alex de volta.

 

– Eu estava pensando em você.

 

Sentiu as mãos dele subirem e depois descerem em suas costas. Pela primeira vez viu Alex parecer lutar com as palavras que queria dizer.

 

– Vamos tocar hoje à noite de novo. Eu quero que você vá. – ele finalmente disse, sério.

– Eu vou.

– Depois vamos sair.

– Pra onde?

 

Ele não respondeu. Ao invés disso, se limitou a dizer.

– Acho melhor você sair daqui. Porque se eu começar agora eu não vou parar.

 

Os olhos dele estavam escuros como ela nunca havia visto. Ela entendeu o recado e saiu do quarto sem olhar pra trás.

7

Elisa acordou suada, sem saber onde estava. Sonhou durante toda a noite, num sono inquieto e cansativo. Fragmentos de sonho, sussurros e a sensação eterna de sede se revezavam causando inquietação. Ainda demorou algum tempo para perceber que aquele dormindo a seu lado era Roberto. Levantou da cama e foi até o banheiro, o coração batendo forte e a boca seca. Outras partes de seu corpo, no entanto, não estavam tão secas.

Lavou o rosto com água fria e escovou os dentes mecanicamente. Pela luz que via da janela do banheiro, já devia ser de manhã. Voltou ao quarto e procurou o celular dentro da bolsa pra confirmar que sim, já passava das 5:30.

A cozinha estava vazia e um pouco escura. Acendeu as luzes e preparou uma garrafa de café. Ainda enrolou um pouco no celular antes de voltar ao quarto e trocar o pijama que usava por um maiô. Ia aproveitar o fato de ter madrugado para se exercitar um pouco.

Antes de sair, parou ao lado da cama e observou o sono tranquilo do namorado por algum tempo. Sim, não havia dúvidas de que aquele era Roberto. Suspirou e saiu em direção a piscina.

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Mergulhou de cabeça e deu algumas voltas, sem se preocupar em medir distâncias. Não havia dormido bem o final de semana inteiro, mas estava surpreendentemente cheia de energia. Poderia escalar uma montanha naquela manhã.

“Ou poderia passar horas trepando com o maldito.”

Parou por um momento, apoiada na borda da piscina.

“Eu deveria estar chorando porque sou uma pessoa horrível, e não feliz desse jeito.”

Mergulhou novamente e ficou boiando no centro da piscina, sentindo a água invadindo seus ouvidos e deixando o silêncio daquela manhã de domingo ser absorvido pelo seu corpo. Assim passou um bom tempo antes de ouvir um barulho que não conseguiu identificar prontamente.

Deixou seus pés tocarem o fundo da piscina e se virou na direção do barulho. Em pé, na beira da piscina, Alex deveria ter acabado de chegar. Estava com a mesma roupa da noite anterior e um saco de papel pardo em uma das mãos.

– Eu disse bom dia, Elisa.

O rosto dele estava com uma expressão que ela não conseguiu ler. A voz dele era grave.

– Bom dia, Alex. Que bom que você lembrou de trazer pão.

Ele sorriu e ela se deu conta de que ele não a havia chamado por algum dos apelidos que costumava utilizar pra ela.

– A água está boa?

– Boa o suficiente pra 6 da manhã.

– Ótimo.

Viu ele depositar o saco de pão no chão e tirar a camisa e os sapatos, removendo alguns objetos dos bolsos da calça.

– Você não…

Elisa não teve tempo de finalizar a frase. Ele deu um mergulho elegante e nadou na direção dela.

– Ficou doido? – ela espirrou água na direção dele.

Alex foi até uma das bordas e passou as mãos pelos cabelos molhados. Elisa sempre adorou o cabelo preto e os olhos escuros de cílios longos dos gêmeos. Ela sabia que estava encarando ele nesse exato momento, mas já tinha ido longe demais pra decidir desenvolver uma consciência logo agora.

Alex era completamente diferente de Roberto, não havia como confundir os dois. Alex era mais esguio e não tão bronzeado como Roberto, que adorava academia e ar livre. E o sorriso de Alex era definitivamente diferente, cheio de significados ocultos e promessas.

– Como foi o show?

– Foi maravilhoso, uma pena que você não foi. – Alex fingiu estar ofendido.

Ele flutuou na direção dela.

– Boa manhã pra se exercitar.

– Não sabia que você curtia um exercício matinal.

– Não esse tipo de exercício. – ele sorriu.

Elisa sentiu o calor familiar no rosto e sabia que já estava vermelha.

– Minha nossa. Quem vê você assim até pensa que você tem vergonha na cara.

– De vez em quando eu tenho.

– E hoje cedo? Está com ou sem vergonha?

Elisa não respondeu. Alex se aproximou mais.

– O que você deixaria eu fazer agora?

Antes mesmo de pensar as palavras já saíam de sua boca.

– Tudo.

Alex ficou surpreso por um momento e ela contou aquilo como uma pequena vitória. Foi tempo suficiente para ela se dar conta do que havia dito e do que aquilo significava.

Ele colocou uma das mãos nas costas dela, puxando-a pra mais perto. Usou a mão livre para erguer a perna dela e a encarou por um momento.

– Quer que eu pare? – ele sussurrou no ouvido dela.

Ela respirou fundo e continuou em silêncio, deixando o pescoço exposto para que ele pudesse beijá-la. Sentiu a mão dele descendo em direção às suas nádegas enquanto o corpo dele se pressionava contra o seu. Estavam agora encostados na borda da piscina e ela jurava que se ele a soltasse, ela deslizaria para o fundo. Era como se sua consciência se desligasse e novamente tudo o que havia era ele. A boca dele, as mãos dele, o corpo dele. Agarrou-se a ele como se a sua vida dependesse disso. A boca dele procurou a dela enquanto as mãos dele buscavam se livrar do maiô.

Uma porta bateu em algum canto da casa.

Elisa abriu os olhos assustada e empurrou Alex instintivamente.

– Chega. – Ela tentou se recompor e ajustar o maiô de forma a sair da piscina com um mínimo de dignidade. – Eu vou tomar um banho.

– Eu também. – Alex passou as mãos pelo rosto e abriu um sorriso cínico. – Um banho frio.

Ela saiu da piscina rapidamente, entrando pela cozinha. Iria se preocupar com o chão molhado depois. Sentado à mesa, Roberto bebia uma xícara de café e mexia no celular. Elisa congelou.

– Bom dia.

– Bom dia, meu amor. Vou tomar um banho e já volto, ok? – Elisa pronunciou as palavras com mais rapidez que o necessário, quase correndo na direção do quarto.

 

“Ele sabe. Ele viu tudo.”

6

Roberto passeava pela seleção variada de filmes com os olhos brilhando, uma das mãos no controle remoto e a outra no ombro de Elisa.

– Então, o que vocês querem ver?

– Qualquer coisa menos filme de terror. – Elisa respondeu.

– Romance está fora de questão pra mim. – Vivi completou.

 

Alex passou pela sala em direção a porta, sem parar.

 

– Irmão! Vamos ver um filme.

– Não estou podendo, príncipe encantado.

– Estou achando que você não quer ficar perto de mim. – Roberto fingiu tristeza.

– O que é isso, você sabe que eu te amo. – Alex deu uma piscadinha e saiu.

– Traz pão na volta. – gritou Vivi sem ter certeza de ter sido ouvida. – Aposto que ele só chega de manhã.

– Esse aqui parece bom, ó. – Roberto apontou a TV com o controle como se mostrasse o filme pras duas.

Elisa reconheceu dois atores e acenou com a cabeça.

– Bora.

– Por mim tudo bem. – Vivi concordou.

O filme era suspense e cumpria bem o seu papel de manter os três entretidos. Elisa pegou o celular por um momento pra checar as horas e viu uma mensagem recebida.

“Quer fazer algo divertido?”

A mensagem era de Alex e havia sido enviada uma hora atrás. Que pena que ela não viu antes.

“O que você tem em mente?”, ela respondeu sem esperar que ele visse até pelo menos o dia seguinte e guardou o celular no bolso novamente.

“Vamos tocar daqui a pouco. Quer vir?”, ele respondeu menos de um minuto depois.

“Acho que não dá, príncipe”.

Os próximos 15 minutos foram de silêncio. Ele provavelmente estava entretido com outra coisa, então ela tentou esquecer e deixar o celular de lado. Sentiu o aparelho vibrando no bolso e jurou que não olharia, mas a curiosidade venceu.

“Você precisa me deixar terminar o que você começou”

Ela respirou fundo e sentiu todos os pelos do corpo se arrepiarem.

“Como assim?”, respondeu, fingindo inocência.

“Depois a gente conversa. Pessoalmente.”

 

Não conseguiu se concentrar mais no filme, mas fingiu prestar atenção até o final mesmo assim. A sensação que tinha era de que a própria roupa a incomodava. Queria se levantar e sair correndo, tomar um banho, fazer qualquer coisa pra gastar aquela energia. A cabeça estava cheia de milhões de pensamentos, o corpo pedindo algo que ela conhecia bem.

– Vamos ver outro filme? – Roberto começou a vasculhar a lista disponível novamente.

– Eu vou dormir. Não aguento mais limpar laboratório e carregar caixas. – Vivi se levantou, esticando o corpo todo e rumando para o quarto.

– Acho que eu vou também. Acordei cedo. – Elisa respondeu.

– Vamos então. – Roberto concordou, desligando a TV.

 

Foram para o quarto de mãos dadas, e quanto Roberto fechou a porta Elisa o beijou com vontade.

– Uau. – foi o único comentário dele.

 

Ela tirou as roupas rapidamente e ajudou ele a se livrar das dele. Empurrou Roberto para a cama e ele se deixou conduzir.

Ela se ajoelhou e começou a masturbar o namorado com movimentos lentos.

– Me chupa. – Roberto pediu.

Ela atendeu o pedido e engoliu o membro do namorado, repetindo os movimento lentos de antes. Elisa sabia de tudo o que ele gostava que ela fizesse, vantagem de anos de convivência e namoro. Mas não era intenção dela acabar rapidamente com aquilo.

– Deita. – ela ordenou depois de um tempo.

Ele fez o que ela disse e ela se posicionou sobre ele, encaixando-se vagarosamente no membro ereto enquanto o olhava nos olhos. As mãos de Roberto cobriram seus seios e ela começou a se mover num ritmo lento e calculado, estudando as reações do namorado. O movimento era vigoroso mas ela não aumentava o ritmo. Aos poucos, a sede tomou novamente conta dela e ela buscou a boca dele. Queria esquecer quem era e se afogar naquela sensação. O barulho da garrafa de água caindo no chão enchia seus ouvidos e a boca faminta que beijava já não era mais aquela. Era igual, mas não era aquela.

Perdeu o controle do ritmo ainda morrendo de sede e o orgasmo tomou conta de seu corpo em seguida. Roberto não demorou a fazer o mesmo.

– Nossa, isso foi incrível! – Roberto comentou depois de retomar o fôlego.

– Estou com sede. Quer água? – Elisa se levantou da cama e rumou para a cozinha.

– Quero sim, obrigado.

 

Roberto caiu na cama e já dormia a sono solto quando Elisa retornou com um copo d’água.