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A sala de embarque estava lotada, porém silenciosa. Talvez pelo horário ou mais provavelmente pelo fato de não haver crianças por ali. Havia sim muitos adultos, que mexiam em celulares ou notebooks enquanto aguardavam o embarque. Ela também reparou em um grupo homogêneo que parecia estar a caminho de alguma convenção.

 

Alex estava em Salvador, mas quando ela recebeu os detalhes do vôo viu que o destino era Recife. A única informação que obteve foi a mensagem de Alex no celular dizendo “Te encontro lá”. O vôo estava marcado para duas da manhã. Três horas depois, ela aterrissou em Recife.

 

O dia já estava claro quando ela se dirigiu a saída do aeroporto. Quando ligou o celular, havia outra mensagem de Alex informando que alguém iria encontrá-la no aeroporto. Ela só não esperava que essa pessoa fosse Fernando. Ele sorriu ao reconhecê-la e a cumprimentou.

 

– Tudo bem, Elisa? Quer ajuda? – ele se ofereceu para pegar a mala de mão que ela levava.

– Joia, e você? Não precisa, pode deixar que eu levo.

 

Que beleza. Agora os dois estão viajando juntos?

 

– O Alex tem um compromisso hoje cedo em Salvador e depois ele vem encontrar a gente. – Fernando se explicou.

– Uhum.

– Vamos lá?

 

Eles foram até o estacionamento e pegaram o carro. Elisa não sabia o que estava esperando, mas achou que ele iria levá-la até um hotel em Recife mesmo. Quando o carro pegou a estrada e deixou a cidade para trás, ela se viu obrigada a perguntar.

 

– Para onde estamos indo?

– O Alex não falou nada?

– Não.

– Porto de Galinhas. – Fernando sorriu, aquele sorriso tão lindo que ela não conseguia esquecer.

 

Porto de Galinhas? O que será que Alex tinha pra fazer em Porto de Galinhas? E até onde Fernando sabia o que estava acontecendo entre os dois? O silêncio no carro era constrangedor. Foi Fernando quem tentou iniciar uma conversa.

 

– O Alex comentou que você precisava sumir por alguns dias.

– Uhum.

 

Elisa mordeu os lábios. Queria perguntar se eles estavam junto, isto é, além de profissionalmente. Para se distrair, mexeu no rádio do carro sintonizando em uma que estava tocando uma música genérica animada.

 

– O Alex vai gravar com ela hoje.

– Sério? Que legal.

– É, eles já estão conversando sobre essa parceria desde mês passado.

 

O silêncio tomou conta do carro novamente. Elisa não queria fingir interesse ou manter qualquer tipo de conversa com Fernando. Sabia que estava sendo mal-educada, mas já havia passado da fase de se preocupar com o que os outros pensariam dela.

 

O carro entrou por uma estrada menor que levou a uma rua arenosa. No final da rua, uma fachada branca de porta de vidro se impunha contra os coqueirais que cercavam a construção.

 

– Vamos? – Fernando estacionou e Elisa saiu do carro, mala e bolsa em mãos.

 

Ele informou ao recepcionista que tinha uma reserva para dois quartos, no que foi prontamente informado que os quartos estavam disponíveis. Pegou três cartões magnéticos e entregou um a Elisa.

 

– Você está no 402. Nós estamos no 401.

 

Nós? Como assim nós? Então Alex ia ficar no quarto com Fernando?

 

– Ok, obrigada. – Elisa se forçou a sorrir.

– Se quiser descansar agora, depois podemos nos encontrar para almoçar.

– Obrigada. – ela repetiu.

 

Se ela soubesse onde era o quarto, ia correndo para lá. Por sorte um mensageiro solícito se prontificou a pegar sua bagagem e acompanhá-la até o quarto. Ela aceitou prontamente e se virou para se despedir de Fernando, mas ele tinha ido até o carro com outro mensageiro para que ele o ajudasse com as malas.

 

O mensageiro abriu a porta e explicou as amenidades do quarto para ela. O lugar era enorme e o banheiro tinha um box grande o suficiente para que 5 pessoas tomassem banho ao mesmo tempo, além da banheira espaçosa.

 

– A água quente é a torneira da esquerda. – o mensageiro foi até o balcão e abriu as portas.

 

Elisa parou na frente da varanda que ele mostrava, mesmerizada pelo tom de azul do mar e pelo sol que brilhava forte.

 

– Os controles do ar e da TV estão em cima da mesa. Se precisar, há uma lista de números de telefone úteis sobre o criado mudo.

 

Ele poderia continuar falando para sempre que ela não prestaria atenção. Elisa não conseguia parar de olhar o mar. Há anos que ela não ia para a praia, mas mesmo os lugares que ela conheceu não se comparavam àquela visão. A extensão do azul parecia ser infinita, sem uma viva alma à vista.

 

Ela pegou dinheiro na bolsa e entregou ao mensageiro, agradecendo. E ele desapareceu em seguida.

 

Então ela ia dividir aquilo tudo com Alex pelos próximos dias. Com Alex e com Fernando, lembrou a si mesma. Olhou novamente para o mar e para o céu e jurou para si mesma que não se importaria de ter Fernando por ali.

 

_____________

 

Tomou um banho longo e sentou na cama para se secar e passar hidratante. A cama era imensa e os lençóis eram incrivelmente confortáveis. Como estava sem dormir, achou que seria uma boa ideia descansar um pouco antes de…

…antes de Alex chegar?

 

Ligou o ar condicionado e se acomodou sem roupa mesmo debaixo do edredom branco e macio. As responsabilidades podiam esperar até semana que vem.

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