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Acordou assustada com o grito. Sentou na cama e tentou descobrir onde estava. Havia um pouco de luz entrando pela janela. Alex não estava ali, mas ela sabia que não tinha sonhado. A sensação entre as pernas era muito vívida para ter sido um sonho.

 

Pegou o vestido do chão e correu em direção à cozinha, de onde o grito parecia ter vindo. A cena que encontrou foi no mínimo embaraçosa. Muriel estava agarrada a Alex e ele estava paralisado.

 

– Estou interrompendo alguma coisa? – Elisa tentou parecer séria mas queria rir.

 

Muriel se deu conta de que não estava mais a sós e soltou Alex.

 

– Oi moço, tudo bem? Meu nome é Muriel, eu moro aqui com a Elisa. – e como ele não disse nada, Muriel continuou falando. – Posso te oferecer alguma coisa? Um café, um banho, meu corpo?

– Acho que tá bom já, Mu. – Elisa interrompeu.

– Prazer, Muriel. – Alex deu um sorriso. – Meu nome é Alexandre, mas pode me chamar de Alex. – Ele sorriu e naquele momento Elisa teve certeza de que Muriel pularia no pescoço dele se ela não estivesse ali.

– Olha, eu vou pro meu quarto, ok? Se precisar de alguma coisa…

– Depois a gente se fala, tá? – Elisa interrompeu novamente.

 

Muriel deu uma piscadinha e saiu em direção ao quarto.

 

– Meus parabéns, você arrumou mais uma fã.

 

O sorriso morreu no rosto de Alex. Não sabia dizer o que ele estava sentindo depois da discussão de ontem. Sexo feito com raiva pode ser muito bom, mas não é tão bom assim quando você precisa lidar com a pessoa no dia seguinte.

 

– Você devia ligar pra sua mãe, ela ficou muito chateada ontem.

– Por quê?

 

Elisa se aproximou da pia e mecanicamente encheu uma caneca com água para preparar o café.

 

– Saudades. Quanto tempo faz que você não vê ela?

– Não sei. – a resposta dele parecia honesta. – Eu deveria estar em Salvador hoje.

– Caramba. – Elisa pegou o pó de café e a garrafa térmica. – Não me importa. Ligue pra sua mãe.

 

Alex parou na frente de Elisa, obrigando-a a encará-lo.

 

– Você quer mesmo continuar ignorando o que aconteceu?

– Eu me recuso a ter essa conversa sem beber uma xícara de café antes. – Elisa respondeu de forma firme.

 

Ele saiu da frente dela e sentou-se na pequena mesa – uma das poucas coisas que cabiam na diminuta cozinha. Elisa passou o café e pegou duas canecas.

 

– Vamos pro meu quarto.

 

Ela fechou a porta e Alex sentou na cama desfeita, caneca de café na mão.

 

– Então você está namorando? – Ela finalmente falou.

– Por que, está com ciúmes?

 

Elisa controlou a vontade de esmurrar Alex. Ele tinha o dom de tirá-la do sério desde que eram pequenos. Ele sempre provocava e parecia fazer questão de deixá-la desconfortável em todas as situações possíveis.

 

– Estou surpresa. – Elisa disse, controlando a raiva. – Ela é linda, parabéns.

– Ela não é minha namorada.

– E então? O que foi aquilo? – ela estava consciente de que sua voz havia subido pelo menos uma oitava.

– Não foi nada.

– Nada? Vocês assumiram namoro em rede nacional com alguns milhões de pessoas assistindo. Se aquilo não foi nada não quero nem imaginar quando…

– Não é justo isso que você está fazendo, Elisa. – ele interrompeu.

– Eu nunca te disse que era uma pessoa legal. – ela bebeu um gole grande do café, queimando a língua no processo.

– Olha, eu fiquei com ela ok? Alguém do programa descobriu e achou que era uma boa ideia fazer aquele circo. Boa audiência, publicidade pra mim e pra ela.

– Não acredito que você se prestou a esse papel.

– Eu não estava sabendo de nada. E não deveria estar me defendendo.

 

Elisa sentiu um gosto amargo na boca pela cena que estava armando. Não tinha direito nenhum de cobrar Alex, isso ela sabia bem.

 

– Me desculpa. Eu não tenho nada a ver com a sua vida. É a sua vida.

– Vocês já marcaram a data? – Alex ficou sério novamente.

– Não.

 

Alex suspirou e Elisa perdeu o foco por um momento, observando o movimento do peito dele.

 

– Você está me encarando.

 

Elisa ficou vermelha e virou o rosto.

 

– Pelo menos na minha casa você deveria andar completamente vestido.

– Vou me lembrar disso. E de evitar a sua amiga. – ele deu uma batida na cama ao lado dele. – Vem cá.

 

Elisa largou a caneca em cima da cômoda e sentou na cama ao lado dele.

 

Alex acariciou o pescoço de Elisa e deu um beijo próximo a orelha dela. Ela sentiu o calor da boca dele e fechou os olhos, distraída pela sensação.

 

– Me pede pra ficar. – as palavras dele foram ditas contra sua pele.

– Hmmm…

 

Elisa não conseguiu responder, deixando a boca e as mãos dele percorrerem os caminhos de seu corpo.

 

– Você quer que eu fique? – ele perguntou novamente.

– Eu quero…

– Mas…? – ele interrompeu o que estava fazendo para ouvir a resposta dela.

 

Elisa pareceu despertar e encarou Alex.

 

– O que você quer que eu diga, Alex? – era uma pergunta incômoda.

– Quero que você diga que quer ficar comigo.

 

Elisa ficou em silêncio.

 

– O que eu sou pra você, Elisa? – ele continuou.

 

Novamente ela não disse nada.

 

– OK então.

 

Alex se levantou e procurou a camisa, que estava amassada ao pé da cama.

 

– Não faz isso comigo.

 

Alex terminou de se vestir e não disse nada.

 

– Alex…

– Abre a porta pra mim, por favor?

 

Ela não podia pedir nada para ele. Não quando não pretendia oferecer nada em troca. O seguiu até a entrada do prédio, braços cruzados e expressão chateada.

 

– Elisa, você está me matando. – ele finalmente falou.

 

Ela tentou escolher as próximas palavras cuidadosamente.

 

– Eu gosto muito de você, Alex. – Elisa segurou o rosto dele entre suas mãos.

– Quanto você gosta de mim?

 

Como responder? Se ela dissesse qualquer coisa agora certamente ia falar besteira.

 

Escolheu o caminho mais fácil e beijou Alex. Era mais fácil do que dizer “Fica comigo pra sempre” ou “Eu te amo”. Ela já não sabia dizer o que sentia ou quem queria. Estava sendo puramente egoísta. Alex estava tão receptivo.

 

Ele interrompeu o beijo e a abraçou com força. De novo ela quis pedir que ele ficasse. Mas tudo o que conseguiu dizer foi.

 

– Você deve ter um avião pra pegar.

– Na verdade estou morrendo de medo de pegar meu celular. – ele brincou.

– Liga pra Vi.

– Eu vou.

 

Eles se separaram e Alex foi embora. Quem sabe até quando.

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